Eu só queria fazer da minha vida, um refúgio pras dores da tua.


Eu sei que é tolo, mas essa minha mania de querer ser forte o tempo todo, me enfraquece.


Havia me esquecido do poder das poesias, de toda magia que envolve esses pobres versos, de como é bom se deitar e ouvir o som das árvores balançando seguindo as belas melodias do vento… Estive tanto tempo tão perdido, ou talvez tivesse me encontrado, mas isso não importa, não mais, pouco a pouco a gente vai mudando, os gostos se transformam e suas vontades crescem, o corpo e a mente de criança dão lugar a esse acúmulo de dores que cresce junto com as responsabilidades. A correria até nos faz esquecer do quanto é bom ter um lápis e uma folha de papel ao lado, botar em pequenas linhas todo aquele grande desabafo do peito, havia esquecido o quão gratificante é mergulhar naquele mar interior, aquele onde só você sabe nadar, só você pode entender, só você pode decifrar. Eu acredito que a vida seja assim, como muitos já dizem uma “montanha russa”, uma hora se está no alto e em questão de segundos se está no chão, mas já que tudo acontece por uma razão, pro nosso aprendizado talvez, hoje depois de tantas descidas sinto que um dia estarei no topo, pertinho das estrelas e distante de você, de aborrecimentos, dessas ilusões que o mundo oferece, e talvez um dia a saudade me puxe pra baixo e me traga até você novamente, sinceramente, dessa vez torço pra que não.


O amor as vezes depende de sorte.


Desde pequenos tínhamos semelhanças opostas, minha cor preferida era azul e a dela rosa, eu tirava pedrinhas do caminho e ela fazia um caminho só de pedras; crescemos lado-a-lado, brincando de explodir sapos e ascender fosforo através da lupa, certa vez, aos 16 anos, eu e ela fomos a vizinha vidente, uma mulherzona que parecia homem, queríamos ver nosso futuro, ela nos disse que via uma praça feia, suja, uma arvore velha e grande com flores rosa, havia muita sombra e alguém. ‘Meio dia e meio’ ela disse, e a gente saiu correndo de medo. Aos 30 anos quase a perdi, fui para a Austrália a procura de emprego, morei lá por cerca de sete anos, depois disso me mudei pra Amsterdã, e lá fiquei. Já na velhice aguda, quando meus cabelos já brigavam entre si pra decidir de ficariam brancos ou cinzas, fui pra Chicago, à cidade dos nossos sonhos, quando cheguei à estação, logo de frente, tinha uma praça feia e suja, uma arvore velha e grande com flores rosa, havia sombra de baixo da arvore e ela sentado no banco, era meio dia e meio, foi lindo, mais uma vez, nossa ultima vez a três, eu ela e o final.


Não faça promessas quando estiver feliz.
Não responda quando estiver irritado.
Não tome decisões quando estiver triste.